Xilogravura Popular Brasileira e a Literatura de Cordel

A Xilogravura Popular Brasileira

Xilogravura é um dos métodos de impressão de figuras e textos mais antigos que existe, os primeiros registos datam do século V, segundo historiadores, possivelmente criado por chineses. A técnica tornou-se comum na Europa durante a Idade Média, primeiro na Alemanha e França com a popularização do papel e, mais tarde, espalhou-se pelo território europeu. 

Imagem: José Costa Leite


Pode-se descrever a xilogravura como uma espécie de carimbo. Primeiro faz se o entalhe de uma figura em uma placa de madeira, que funciona como matriz para a transferência da imagem para o papel. Então, o desenho em alto relevo é pintado com uma tinta para impressão e na última etapa é transferido para o papel. 

Imagem: Memorial J. Borges


A Xilogravura chega ao Brasil

A xilogravura foi levada ao Brasil pelos portugueses junto com a tipografia e popularizou-se na região nordeste do país assumindo novas formas. Desenvolveu-se na literatura de cordel, retratando cenas da cultura e do cotidiano nordestino com figuras folclóricas e às vezes míticas.

Conheça alguns dos mais conhecidos Mestres da xilogravura no Brasil

J.Borges

José Francisco Borges, ou,  J. Borges como prefere ser chamado, é conhecido dentro e fora do país como um dos melhores xilógrafos e poetas populares.

Imagem: Memorial J. Borges

Imagem: Memorial J.Borges

Abrão Batista 

Poeta, xilógrafo, gravador, escultor e ceramista. Ao longo de sua carreira, Abrão Batista produziu mais de 200 títulos e é dono de um traço inconfundível. 

Imagem: Abrão Batista

José Costa Leite

José Costa Leite iniciou-se na arte de literatura de cordel e gravura aos 20 anos, dono de uma técnica muito especial, o artista já expôs sua obra nos Estados Unidos, França e Chile. 

Imagem: José Costa Leite


A xilogravura inspira novas artes e artistas

A xilogravura é mais comumente encontrada na literatura de cordel, entretanto, já faz algun tempo tem inspirado novas formas de expressão. Destacamos aqui o pernambucano Perrom Ramos, artista plástico que faz releituras de quadros famosos e outros objetos mesclando a linguagem tradicional e contemporânea em suas criações. 

Releitura de "A Dança" de Henri Matisse

Releitura da Obra "Veado Ferido" de Frida Kahlo


Literatura de Cordel

A Literatura de Cordel tem sua origem na Europa com o Trovadorismo medieval por volta do século XII. Os trovadores cantavam e espalhavam histórias e notícias para a população que, na época, eram em sua grande maioria analfabetas. Esta forma de expressão era uma prática muito comum em países como França, Inglaterra Espanha e Portugal. 

O termo "Cordel" é de herança portuguesa, os textos impressos em folhetos, eram vendidos em feiras, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes. "Chamamos literatura de cordel às folhas soltas, volantes ou folhetos, de índole popular ou semi-popular, que se vendiam pendurados em um cordel ou barbante: peças de teatro, romances, novelas etc." (Guerreiro, 1978: 68). 

Imagem: Fernando Marinho

Ou seja, a designação da expressão "literatura de cordel" dá-se pela forma como era feita a comercialização destes textos, e não necessariamente, a forma estética. 

No Brasil, a técnica chegou no Rio de Janeiro junto com a Família Real Portuguesa em 1808 e ganhou novas temáticas regionais, divulgando histórias de maneira simples e de fácil compreensão. Mais tarde foi incorporada e se popularizou como manifestação literária tradicional da cultura popular brasileira muito comum no nordeste do país. 

Imagem: Reprodução/Instagram

 Os autores cordelistas recitam os versos de forma melodiosa e cadenciada, muitas vezes acompanhados de viola. Para convencer compradores nas feiras, fazem também leituras ou declamações empolgadas e animadas. 

Imagem: Autor desconhecido

Confiam mais nos poetas
Porque são mais fiéis
Desconfiam dos jornais
Que mentem nos seus papéis
Dizendo em praças e feiras
Que notícias verdadeiras
São aquelas dos cordéis

Os cordéis tratam de costumes locais, fortalecendo as identidades regionais e o folclore, mas também falam de atualidades e fazem críticas sociais sempre ilustrados com a xilogravura.

Assista ao vídeo abaixo e conheça um pouco mais sobre um dos mais conhecidos artistas da xilogravura no Brasil - J.Borges que começou a criar xilogravuras para ilustrar os seus cordéis.

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